Dica de redação: como elaborar parágrafos

como elaborar parágrafos Dica de redação

O par√°grafo √© um componente central da disserta√ß√£o e evidencia que as frases contidas nele possuem maior rela√ß√£o entre si do que com o restante da reda√ß√£o. A quantidade de linhas n√£o determina um par√°grafo, e sim a unidade e a coer√™ncia de conceitos entre as constru√ß√Ķes frasais contidas nele.

O autor, para ser compreendido, precisa dividir o conte√ļdo em par√°grafos de maneira l√≥gica. Veja como fazer essa separa√ß√£o:

Passo I

Primeiramente, defina qual a ideia central da sua dissertação, isto é, defina qual ponto de vista você quer defender nela; qual será o seu foco.

Passo II

Selecione as informa√ß√Ķes que servir√£o de apoio e perpetrar√£o sua tese ao longo de toda a elabora√ß√£o. Cada dado importante e distinto necessitar√° compor um par√°grafo, e as particularidades que sustentar√£o cada dado importante dever√£o ser trabalhadas ao redor dele. Um bom par√°grafo √© aquele que apresenta senten√ßas plaus√≠veis em torno de uma ideia central. Sempre digo aos meus alunos:

Ideia nova e importante merece um par√°grafo diferente!

Toda frase precisa dar fundamento ao assunto central do parágrafo, oferecendo mais detalhes a respeito dele. Se uma construção não tiver ligação direta ao assunto principal do parágrafo, remova-a!

Parte III

Fixado o tema central e determinadas as informa√ß√Ķes que sustentar√£o seu ponto de vista, √© preciso definir a ordem com que estas ser√£o apresentadas. A distribui√ß√£o deve gerar um texto com in√≠cio, meio e fim; coerente desde a primeira frase at√© a √ļltima. Para tal efeito, siga a cl√°ssica, b√°sica e produtiva ordem dial√©tica:

(1) Introdução: no primeiro parágrafo da produção, descreva, de maneira breve e atrativa, o tema que será aprofundado e defendido ao longo da dissertação.

(2) Desenvolvimento: é momento de debater o tema por meio da exposição de argumentos, os quais deverão ser claros e relevantes. Cada argumento forte (ideia, conceito, informação, etc.) carece ser trabalhado em parágrafo diferente e apresentado numa ordem progressiva, criando um texto coerente e uma ponte que levará o leitor da introdução à conclusão.

(3) conclus√£o: corresponde ao √ļltimo par√°grafo. Aqui n√£o ser√£o apresentadas ideias novas, e sim a s√≠ntese do problema discutido no decorrer do texto e a solu√ß√£o para ele. Nesse espa√ßo, seu ponto de vista ganhar√° mais destaque.

Importante:

Durante o planejamento, é fundamental estabelecer a que conclusão se deseja chegar. Se não der a devida atenção à conclusão, poderá cair na incoerência, desqualificando todo o seu trabalho.

Na pr√°tica

Observe este par√°grafos:

Evento que marca a entrada no ensino superior, o trote surgiu na idade m√©dia como uma a√ß√£o de preven√ß√£o √† prolifera√ß√£o de doen√ßas. No seu come√ßo, j√° era marcado pela impunidade da viol√™ncia e da crueldade usadas pelos veteranos no trato com os calouros. A pr√°tica tem gerado preocupa√ß√Ķes por excessos e distor√ß√Ķes no objetivo de recepcionar os estudantes.

Este fragmento refere-se à introdução de um texto sobre trote e contém os seguintes problemas:

(1) informa√ß√£o incompleta: ‚Äúo trote surgiu na idade m√©dia como uma a√ß√£o de preven√ß√£o √† prolifera√ß√£o de doen√ßas‚ÄĚ.

Ficam as seguintes indaga√ß√Ķes: em que consistia essa a√ß√£o que prevenia doen√ßas? Que doen√ßas eram essas?

(2) a falta de precis√£o continua: ‚ÄúNo seu come√ßo, j√° era marcado pela impunidade da viol√™ncia e da crueldade usadas pelos veteranos no trato com os calouros‚ÄĚ.

Quais eram as atitudes cruéis dos veteranos? E por que razão eles não eram punidos?

(3) a ausência de objetividade: a proposta era para debater qual o limite entre o crime e os trotes de hoje. Não era necessário voltar tanto à história para apresentar o tema e, subsequentemente, debatê-lo.

(4) informa√ß√£o que n√£o se encaixa ao tema central do par√°grafo introdut√≥rio estabelecido pelo autor (surgimento do trote): A pr√°tica tem gerado preocupa√ß√Ķes por excessos e distor√ß√Ķes no objetivo de recepcionar os estudantes.

Houve uma mudança abrupta de assunto. Não há conectivos que liguem as ideias, formando uma unidade de sentido. Se fosse de fato necessário falar a respeito do surgimento do trote, essa informação nova deveria ser iniciada em outro parágrafo com bons conectivos.

Segue o trecho reelaborado [observe que, levando em conta a proposta e as informa√ß√Ķes que o autor quis trazer para a produ√ß√£o, est√° mais objetivo e coerente]:

Rito secular que marca o ingresso de estudantes no ensino superior, o trote tem chamado cada vez mais a aten√ß√£o da m√≠dia e da sociedade devido aos excessos. Atos violentos, humilha√ß√Ķes e at√© mortes s√£o cada vez mais frequentes nesse evento, que se tornou s√≠mbolo de reconhecimento social e hierarquia.

O trote, al√©m de estar alheio ao prop√≥sito educacional da universidade, tem se sobreposto aos direitos garantidos pela constitui√ß√£o. Quando se resulta em les√£o corporal, inj√ļria e constrangimento, por exemplo, violam-se os direitos √† vida, √† integridade f√≠sica e ps√≠quica, √† liberdade, √† autonomia de vontade, √† honra objetiva e subjetiva e √† dignidade.

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