Enem 2021: Funções da Linguagem

aniversário (s.m.)
é o dia que recebo o maior número de ligações no meu
celular. é sinônimo de doce. é festejar o próprio ser. é
receber os abraços mais gostosos. é um bolo de chocolate
vegano (obrigado, mãe). é quando eu esqueço o que não
importa. é o dia em que eu me dou folga das folgas que a
vida não me dá. é quando seus amigos se juntam para
comprar a nova coleção de livros do Harry Potter pra você
(valeu, galera)! é a felicidade fazendo visita.
é um balão imaginário que tem gosto de amor e cheirinho
de infância.

DOEDERLEIN, J. O livro dos ressignificados.
São Paulo: Parábola, 2017.

Nessa simulação de verbete de dicionário, não há a predominância da função metalinguísticada linguagem, como seria de se esperar. Identificam-se elementos que subvertem o gênero por meio da incorporação marcante
de características da função


a) conativa, como em “(valeu, galera)!”.
b) referencial, como em “é festejar o próprio ser.”
c) poética, como em “é a felicidade fazendo visita.”
d) emotiva, como em “é quando eu esqueço o que não importa.”
e) fática, como em “é o dia que recebo o maior número de ligações no meu celular.”
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Resolução
No texto, que simula um verbete, há predominância da função emotiva. A intenção não é definir objetivamente o sentido da palavra “aniversário”, mas sim o que essa palavra representa subjetivamente para o autor.
Resposta: D

Funções da Linguagem

As funções da linguagem são formas de utilização da linguagem segundo a intenção do falante.

São classificadas em 6 tipos: referencial, emotiva, poética, fática, conativa e metalinguística.

Cada uma desempenha um papel relacionado com os elementos presentes na comunicação: emissor, receptor, mensagem, código, canal e contexto. Assim, elas determinam o objetivo dos atos comunicativos.

Embora haja uma função que predomine, vários tipos de linguagem podem estar presentes num mesmo texto.

Função Referencial ou Denotativa

Também chamada de função informativa, a função referencial tem como objetivo principal informar, referenciar algo.

Voltada para o contexto da comunicação, esse tipo de texto é escrito na terceira pessoa (singular ou plural) enfatizando seu caráter impessoal.

Ex: materiais didáticos, textos jornalísticos e científicos. Todos eles, por meio de uma linguagem denotativa, informam a respeito de algo, sem envolver aspectos subjetivos ou emotivos à linguagem.

Exemplo de uma notícia:

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou hoje (24/02/2021) que o estado terá um “toque de restrição” a partir de sexta-feira (26) para conter a alta nas internações e nas contaminações pelo novo coronavírus. Na prática, será um toque de recolher que restringirá a circulação de pessoas entre 23h e 5h, válido para todo o estado. A medida tem previsão para valer até 14 de março.

Função Emotiva ou Expressiva

Também chamada de função expressiva, na função emotiva o emissor tem como objetivo principal transmitir suas emoções, sentimentos e subjetividades por meio da própria opinião.

Esse tipo de texto, escrito em primeira pessoa, está voltado para o emissor, uma vez que possui um caráter pessoal.

Ex: textos poéticos, cartas, diários. Todos eles são marcados pelo uso de sinais de pontuação, por exemplo, reticências, ponto de exclamação, etc.

Exemplo de e-mail da mãe para os filhos:

Meus amores, estou com muita saudade de vocês … Logo logo a mamãe chega e vamos aproveitar o tempo perdido bem juntinhos. Semana que vem estarei aí!!! Se cuidem e obedeçam a vovó! Amo vocês!

Função Poética

A função poética é característica das obras literárias que possui como marca a utilização do sentido conotativo das palavras.

Nessa função, o emissor preocupa-se de que maneira a mensagem será transmitida por meio da escolha das palavras, das expressões, das figuras de linguagem. Por isso, aqui o principal elemento comunicativo é a mensagem.

Note que esse tipo de função não pertence somente aos textos literários. Também encontramos a função poética na publicidade ou nas expressões cotidianas em que há o uso frequente de metáforas (provérbios, anedotas, trocadilhos, músicas).

Exemplo:

Millôr Fernandes

Função Fática

A função fática tem como objetivo estabelecer ou interromper a comunicação de modo que o mais importante é a relação entre o emissor e o receptor da mensagem. Aqui, o foco reside no canal de comunicação.

Esse tipo de função é muito utilizada nos diálogos, por exemplo, nas expressões de cumprimento, saudações, discursos ao telefone, etc.

Exemplo:

Comunicação

É importante saber o nome das coisas. Ou, pelo menos, saber comunicar o que você quer. Imagine-se entrando numa loja para comprar um… um… como é mesmo o nome?

“Posso ajudá-lo, cavalheiro?”

“Pode. Eu quero um daqueles, daqueles…”

“Pois não?”

“Um… como é mesmo o nome?”

“Sim?”

“Pomba! Um… um… Que cabeça a minha. A palavra me escapou por completo. É uma coisa simples, conhecidíssima.”

“Sim senhor.”

“O senhor vai dar risada quando souber.”

“Sim senhor.”

“Olha, é pontuda, certo?”

“O quê, cavalheiro?”

[…]

“Chame o gerente.”

“Não será preciso, cavalheiro. Tenho certeza de que chegaremos a um acordo. Essa coisa que o senhor quer, é feito do quê?”

“É de, sei lá. De metal.”

“Muito bem. De metal. Ela se move?”

“Bem… É mais ou menos assim. Presta atenção nas minhas mãos. É assim, assim, dobra aqui e encaixa na ponta, assim.”

“Tem mais de uma peça? Já vem montado?”

“É inteiriço. Tenho quase certeza de que é inteiriço.”

“Francamente…”

“Mas é simples! Uma coisa simples. Olha: assim, assim, uma volta aqui, vem vindo, vem vindo, outra volta e clique, encaixa.”

“Ah, tem clique. É elétrico.”

“Não! Clique, que eu digo, é o barulho de encaixar.”

“Já sei!”

“Ótimo!”

“O senhor quer uma antena externa de televisão.”

“Não! Escuta aqui. Vamos tentar de novo…”

“Tentemos por outro lado. Para o que serve?”

“Serve assim para prender. Entende? Uma coisa pontuda que prende. Você enfia a ponta pontuda por aqui, encaixa a ponta no sulco e prende as duas partes de uma coisa.”

“Certo. Esses instrumentos que o senhor procura funciona mais ou menos como um gigantesco alfinete de segurança e…”

“Mas é isso! É isso! Um alfinete de segurança!”

“Mas do jeito que o senhor descrevia parecia uma coisa enorme, cavalheiro!”

“É que eu sou meio expansivo. Me vê aí um… um… Como é mesmo o nome?”

VERÍSSIMO, Luis Fernando. Comunicação. In: PARA gostar de ler, v.7. 3.ed. São Paulo: Ática, 1982. p. 35-37.

Função Conativa ou Apelativa

Também chamada de apelativa, a função conativa é caracterizada por uma linguagem persuasiva que tem o intuito de convencer o leitor. Por isso, o grande foco é no receptor da mensagem.

Essa função é muito utilizada nas propagandas, publicidades e discursos políticos, de modo a influenciar o receptor por meio da mensagem transmitida.

Esse tipo de texto costuma se apresentar na segunda ou na terceira pessoa com a presença de verbos no imperativo e o uso do vocativo.

Exemplos:

Vote em mim!
Entre. Não vai se arrepender!
É só até amanhã. Não perca!

Função Metalinguística

A função metalinguística é caracterizada pelo uso da metalinguagem, ou seja, a linguagem que se refere a ela mesma. Dessa forma, o emissor explica um código utilizando o próprio código.

Um texto que descreva sobre a linguagem textual ou um documentário cinematográfico que fala sobre a linguagem do cinema são alguns exemplos.

Nessa categoria, os textos metalinguísticos que merecem destaque são as gramáticas e os dicionários.

Exemplo:

Linguística: Conjunto de todos os elementos linguísticos vigentes numa comunidade e postos à disposição dos indivíduos para servir-lhes de meios de comunicação; língua.