Par√°grafos: Tipos, estrutura e exemplos

Par√°grafos: Tipos, estrutura e exemplos

Par√°grafo

Parágrafo é uma unidade de assunto constituída de uma frase ou um grupo de frases ordenadas. Na narração, o parágrafo apresenta uma sequência de fatos; na descrição, uma sequência de aspectos; na dissertação, uma sequência de juízos. A mudança de parágrafos no texto varia conforme o estilo do autor e a modalidade redacional.

Par√°grafo Descritivo

O par√°grafo descritivo apresenta uma sequ√™ncia de aspectos que caracterizam serem num espa√ßo delimitado. Predominam os substantivos, adjetivos, verbos de estado, locu√ß√Ķes, met√°foras, e outros recursos estil√≠sticos costumam ser comuns no texto descritivo, que pode ser redigido em at√© um √ļnico par√°grafo.

Quaresma era um homem pequeno, magro, que usava pincenez, olhava sempre baixo, mas quando fixava alguém ou alguma coisa, os seus olhos tomavam, por detrás das lentes, um forte brilho de penetração, e era como se quisesse ir à alma de uma pessoa ou da coisa que fixava.

(Lima Barreto)

Par√°grafo Narrativo

O par√°grafo narrativo apresenta uma sequ√™ncia de acontecimentos, um encadeamento de a√ß√Ķes registradas atrav√©s de verbos de a√ß√£o.

Fabiano soltou um suspiro largo de satisfação e dor. Em seguida tentou prender o colarinho duro ao pescoço, mas os dedos trêmulos não realizaram a tarefa. Sinha Vitória auxiliou-o: o botão entrou na casa estreita e a gravata amarrou-se. As mãos sujas, suadas, deixaram no colarinho manchas escuras.

– Est√° certo, grunhiu Fabiano.

(Graciliano Ramos)

Par√°grafo Dissertativo

O par√°grafo dissertativo constitui uma exposi√ß√£o de conceitos, opini√Ķes, pontos de vista e ju√≠zos sobre um determinado assunto, tendo em vista convencer o leitor. O encadeamento de ideias nos per√≠odos e par√°grafos √© obtido pelo uso de elementos de liga√ß√£o, nexos sem√Ęnticos ou part√≠culas de coes√£o representadas na gram√°tica por adv√©rbios, conjun√ß√Ķes, preposi√ß√Ķes e palavras (ou express√Ķes) denotativas. As rela√ß√Ķes estabelecidas atrav√©s de ora√ß√Ķes subordinadas valorizam a argumenta√ß√£o.

Ideia-N√ļcleo

Ideia-n√ļcleo √© a frase que concentra a ideia central do par√°grafo.

Os dias de hoje j√° n√£o comportam os antigos per√≠odos longos, quilom√©tricos, que caracterizam escritores de outras √©pocas. O leitor moderno quer ser informado rapidamente; cansa-se se a frase se alongar, se os per√≠odos se enrolarem repletos de interpola√ß√Ķes, de ora√ß√Ķes partidas, interrompidas ou intercaladas; do ac√ļmulo de ora√ß√Ķes subordinadas, de tudo aquilo, enfim, que o impe√ßa de chegar r√°pido ao fim do pensamento. A frase curta, simples, sem requebros, desprovida de enfeites desnecess√°rios, objetiva, de modo algum prejudica a riqueza do estilo. Importante √© a dosagem desses recursos.

(Considera√ß√Ķes sobre a Reda√ß√£o Liter√°ria”, Portugu√™s para o ciclo universit√°rio b√°sico.)