Ternura

ternura

Ternura

Eu te peço perdão por te amar de repente

Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos

Das horas que passei à sombra dos teus gestos

Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos

Das noites que vivi acalentado

Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo

Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente

 

E posso te dizer que o grande afeto que te deixo

Não trai o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas

Nem as misteriosas palavras dos v√©us da alma…

√Č um sossego, uma un√ß√£o, um transbordamento de car√≠cias

E só te pede que te repouses quieta, muito quieta

E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.

Vinicius de Moraes, in ‘Antologia Po√©tica’